Oficinas Arpilleras

As Arpilleras são uma técnica têxtil que tem suas origens numa antiga tradição popular chilena e no trabalho da folclorista Violeta Parra, quem disse que “as arpilleras são como canções que se pintam”. As Arpilleras são montadas em suporte de aniagem, pano rústico proveniente de sacos de farinha ou batatas, geralmente fabricados em cânhamo ou linho grosso. Esta tela de fundo, no Chile, recebe o nome de arpillera, dando nome a essa expressão artística popular. Toda a costura é feita a mão, utilizando agulhas e fios, sendo às vezes adicionados fios de lã a mão ou em crochê para realçar o contorno das figuras, assim como elementos tridimensionais, como bonecas.

Arpilleras e Costura como ato de transgressão

O papel da costura, tradicionalmente relegado ao espaço doméstico e papel subalterno atribuído à mulher, têm sido sistematicamente transgredido. Já a deusa grega Filomela, que tinha sido estuprada pelo seu cunhado, Tereu, quem ainda lhe cortou a língua para que não pudesse falar, usou a costura para denunciar à sua irmã este terrível episódio. Na época da ditadura militar chilena, as arpilleras, floriram dos pátios interiores das casas e nas igrejas da periferia de Santiago, como um grito de resistência. De trabalho invisível e afazer cotidiano, gritos de luta e de luto foram costurados pelas chilenas, com as roupas dos seus desaparecidos através desta técnica, desafiando o silencio imposto pelo regime do General Augusto Pinochet.

OFICINEIRA 

Nossa parceira Esther Vital Garcia

DESCRIÇÃO PESSOAL

Esther Vital García Conti, quem facilitará as oficinas, é espanhola, psicóloga e educadora e reside no Brasil há quase 5 anos. Desde que chegou, contribui no Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), como coordenadora e educadora. Esther, teve o primeiro contato com as arpilleras em 2008, quando visitou a exposição “The Art of Survival: International and Irish Quilts”, em Derry, Irlanda do Norte. Na época estava elaborando a sua dissertação de mestrado sobre Transformação de Conflitos, e acabou usando esta experiência como caso estudo de análise sobre como usar a arte para criar espaços seguros de encontro em sociedades divididas.

A partir de aí usou a técnica para trabalhar com mulheres vítimas de problemáticas e violências diversas, como a União de Comitês de Mulheres Palestinas, em Cisjordânia (2009) ou Mujeres del Mundo, imigrantes em Bilbao, Espanha (2010). Durante 2011 e 2012, realizou a assistência de curadoria da Exposição “Arpilleras da Resistência Política Chilena” primeiro no Memorial da Resistência de São Paulo (2011), onde facilitou várias oficinas, e posteriormente, graças ao apoio do edital “Marcas de Memória” da Comissão de Anistia, levando a mostra para 5 cidades brasileiras (Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre, Belo Horizonte e Brasília) onde realizou seminários, visitas guiadas e oficinas com vários grupos locais.

Já no final de 2013, junto com o Coletivo de Mulheres do Moviemento dos Atingidos por Barragens, desenho e implementou um programa pedagógico de documentação e denúncia das violações de direitos das mulheres atingidas através da técnica. No tudo, foram envolvidas mais de 800 mulheres atingidas por barragens de todo o Brasil num processo de documentação têxtil das violações de direitos que vem sofrendo vítimas do atual modelo de implantação de barragens, plasmando seus testemunhos de violência em arpilleras. Este trabalho culminou na exposição internacional “Arpilleras, bordando a resistência” que teve lugar no Memorial da América Latina em São Paulo entre 25 de setembro e 25 de outubro de 2015. Em 2015 também ministrou oficinas de arpilleras no SESC Osasco e no SESC Pinheiros.

Esther é da ONG feminista Casa de Lua.

CONTATO

11960664299

esthermabnacional@gmail.com

Anúncios